domingo, 6 de setembro de 2009

Expresso 90123

Miúdas gotas de água caem pelos céus abaixo através de sons miudinhos e pequenas rajadas de vento. O tempo passa a cada segundo e eu continuo estatuada a olhar para os ponteiros do relógio que continuam a passar de uma forma muito discreta e lenta. Ando às voltas pelas várias divisões do comboio em que me encontro, tento decifrar exaustivamente palavras que são tão fáceis de falar mas tão difíceis de decifrar. ‘Por muito que o físico se mostre estar mudado, os sentimentos e as reacções continuam as mesmas’. Por experiencia própria sinto que esta frase prega partidas e magoa muito. Sinto-me sem nada debaixo dos meus pés, estou completamente a flutuar nas minhas perguntas cheias de palavras com demasiado poder sobre as pessoas, sinto-me controlada pela breve brisa que paira no ar, a brisa que tu crias-te, a brisa de nome saudade. Admito, tenho muitas saudades do que éramos mas acho que as saudades que eu tenho estão só dentro de mim e de mais ninguém e isso é o mesmo do que as múltiplas células existentes no meu corpo desaparecessem numa milésima de segundo. Apenas espero saber qual o porque de haver assuntos que não tem explicação. Manter-me calma é o meu plano mas são tantos os murmúrios que me rondam por completa que estou a ficar cada vez mais controlada. Tenho medo de cair e de não estares lá para me agarrar e apoiar, tenho medo de me refrear e não estares lá para me aquecer, tenho medo da escuridão e de não estares lá para me iluminar, tenho medo que este pesadelo nunca mais acabe e tu deixes de existir. Neste momento estou sentada numa carruagem de um expresso onde estou só e abandonada. Resta-me ficar aqui sem me mexer a sentir pequenas gotas de água a cair-me na minha pobre face. O expresso está a desmembrar-se e as miúdas gotas de água que caiam pelos céus agora se tinham transformado numa intensa chuva que se fazia soar lá fora. A intensa tempestade que se estava a transformar fazia com que a gotas de água começassem a penetrar pelas entranhas do comboio… Estou com a roupa encharcada e três carruagens do expresso 90123 já tinham ficado para trás… Apenas restam duas carruagens inocentes… Agora pergunto-me se a chegada estará para breve ou nunca haverá fim?

4 comentários:

Anónimo disse...

Este texto está maravilhoso *.*
Gosto muito :D
Parabéns, escreves incrivelmente bem.

Ass. Susana

Cristina disse...

Lindoo :O
quero escrever como tu.

Mimi disse...

Uaauuu! :O
Está bem bonito :D
Quando é que vais por outro texto? *-*

Cá. disse...

Resposta à Mimi:

Mimi, eu devo de por outro texto para breve é que eu agora ando com pouca inspiração para escrever.