domingo, 10 de janeiro de 2010

Acompanhada

Acordo numa manhã obscura e gélida em que se conseguia ouvir os ventos a seguirem o seu caminho e os pequenos flocos de neve a caírem solenemente sobre as pedras de mármore da varanda que se localizava a cinco passos de mim. Virei a minha cara em direcção da janela para tentar recorrer aos poucos e fracos raios de sol que conseguiam atravessar o vidro opaco. Aos poucos e poucos soltei uma gargalhada sem graça esbatendo um sorriso que ninguém gosta de ver na minha cara. Este sorriso demonstrava o que sentia naquela mesma manhã, naquela mesma cama onde eu estava deitada, naquele mesmo quarto onde repousava. O dia estava tão escuro que necessitava de alguma luz artificial. O ponto de luz que me incidia no corpo frágil não me era útil, continuava parada a olhar para o tecto de cor branca. A tua presença vagueava-me, percorria-me sem dignidade, fazia-me desejar-te tanto. Agarrar-te era o que eu mais desejava mas não estavas lá, não estavas lá para me agarrar, não estavas lá para me limpar as lágrimas.
O sopro por dentro fez-me ter o mínimo de coragem, fez-me seguir pelas inúmeras ruas da pequena vila. Tinha uma imagem descuidada e caminhava descalça, tinha entrado dentro da minha redoma, tinha entrado dentro do meu mundo do qual só eu fazia parte. Caminhava, caminhava, caminhava, não via o que pisava, não via a quem me roçava, não via as chamas quentes, não via as nuvens, não via os carros. Tinha um ponto fixo que não era fixo, o meu olhar apenas era direccionado numa direcção, uma direcção que nunca conheci nem percorri, um novo sonho e um novo sofrimento que estava prestes a enfrentar. Era seguida por fantasmas que tinham a obsessão de me atormentar com o passado, alimentavam-se da minha angústia e do meu sofrimento não tendo uma única vez o que chamamos de piedade. Era levada por ti até ao infinito, fui conhecer assombrações que não sabia que existiam.

Come up to meet you, tell you I'm sorry
You don't know how lovely you are
I had to find you, Tell you I need you
And tell you I set you apart
Tell me your secrets, And ask me your questions
Oh let's go back to the start.

Quero-te de novo aqui ao pé de mim. Quero voltar a sentir borboletas na barriga. Quero voltar a sentir a sensação de ter alguém que goste de mim pelo que sou. Quero voltar a ter quem beijar. Quero voltar a ter ao que me agarrar.
O meu destino está traçado … Está na hora de tudo acabar, está na hora do ponto final no fim desta frase cheia de vírgulas que só fazem envergonhar.

8 comentários:

Kika disse...

Como é que tu consegues trasmintir tanto para um texto ? ameeeei.

Kika disse...

Como é que tu consegues trasmintir tanto para um texto ? ameeeei.

Kika disse...

Como é que tu consegues trasmintir tanto para um texto ? ameeeei.

Kika disse...

(sorry .. os comentários repetiram-se)

Carolina disse...

MUITO BOM ! :D

Anónimo disse...

Perfeito, especialmente porque está ao som da melhor banda do mundo!

T

Anónimo disse...

gosto tanto de ler os teus textos cátia
escreves muito bem mesmo +.+
amo-te «3
[claudia]

Borboleta disse...

Cátia, isto tá mesmo liiiindo ! *.*

Inês :)