quarta-feira, 13 de julho de 2011

A estação

O dia começa bem cedo e sem pedir permissão entra pelas enormes janelas da estação de comboios. Apesar de haver alguma luminosidade, parece que o tempo está frio e triste lá fora. Também já se ouve as primeiras carruagens a entraram pela estação e com isso, o som de uma enorme multidão apressada também se faz ecoar pelas paredes próximas. São 6h da manhã e só agora dei conta que adormeci na máquina de fotografias que se encontra no local central da estação. Fiquei aqui na esperança de encontrar o tal rapaz, de poder cheirar e sentir mais uma única vez aquele seu perfume que me faz ficar com a típica pele de galinha. Aquele rapaz que costuma tirar as pastilhas que se encontram esquecidas debaixo das máquinas de refrigerantes, aquele rapaz que faz o trabalho que ninguém gosta de fazer, aquele rapaz que observa as despedidas de casais apaixonados e colecciona essas mesmas imagens na sua cabeça. Não acredito ainda que ninguém me encontrou aqui, o que me faz sentir ainda mais sozinha mas o que me está a deixar ainda mais incomodada é “ele” ainda não ter aparecido na estação. Entretanto já sai da máquina há algum tempo e agora estou sentada no banco em que ele se costuma sentar para descansar um pouco do seu trabalho árduo. É estranho mas sinto aqui a presença dele como se o destino nos quisesse unir, mas o mais estranho é despertar este sentimento em mim e ainda não o conhecer!
Tive uma infância atribulada em que nunca tive as brincadeiras normais de uma criança visto que estudei em casa com a minha mãe e não saia de casa porque os meus pais tinham medo que fosse atropelada pelos distribuidores de jornais que andavam numa correria pela cidade com bicicletas em mau estado. A minha mãe morreu cedo num acidente disparatado e até à idade de sair de casa, sempre vivi com o meu pai distante que nunca me tomou como filha do seu sangue. E agora, chego a esta idade e nunca me apaixonei e pela primeira vez sinto uma coisa diferente por alguém, apesar de não o conhecer. Não sei se isto é um sentimento normal que os adultos sentem mas nunca me ensinaram o que era isto. E o tempo continua a passar, a passar e a passar. Dei conta que estive aqui a pensar na história da minha vida como se isso fizesse o tempo passar mais rápido e trouxesse o tal rapaz “das pastilhas” ao seu local de emprego mas ele não aparece por nada. Acho melhor desistir. Vou-me embora e ao sair da estação pela porta grande sinto alguém a agarrar-me na mão. A pele de galinha volta em fúria e o coração fica a bater a mil à hora. As nossas bocas unem-se e agora? Agora somos nós a fazer parte dos casais apaixonados que se encontram no meio da multidão apressada. Somos um da
queles casais que ficam na memória de uma pessoa e mais tarde são recordados como histórias bonitas!

6 comentários:

Margarida Coelho disse...

dia 22 entro de férias :))
ai que isto está lindoooo!

CLÁUDIA COM. disse...

Está tãããão perfect!

joanarocha disse...

muito obrigada.
adorei (:

joanarocha disse...

de nada (:

jezebel disse...

obrigada :)

Bruna Silva disse...

Obrigada, adorei este texto, está LINDO! Sigo !!